seg, 07/12/2009 - 09:56 - Olavo
Levantamento divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revelou que, apesar da redução da distância entre os dois grupos, o índice de analfabetismo entre jovens ne gros ainda é duas vezes maior que entre brancos. Em 1998, o analfabetismo entre jovens negros era quase três vezes maior que entre os brancos.
No ensino médio, o número de jovens brancos que frequenta a Escola é 44,5% maior em comparação ao de negros. Já no ensino superior, a frequência é cerca de três vezes maior entre os brancos. O Ipea destaca, no entanto, que houve significativa melhora no nível de adequação educacional entre os jovens negros nos últimos anos. Enquanto se observou entre os brancos certa estagnação, entre os negros a melhoria na frequência ao ensino médio é bastante significativa: em 10 anos, quase duplicou.
No que diz respeito à renda, a disparidade é alarmante. De 2004 a 2008, a diferença entre as rendas médias dos negros e dos brancos no Brasil aumentou R$ 52,92. O estudo também revela que a renda média dos brancos aumentou 2,15 vezes no período, enquanto a dos negros teve aumento de apenas 1,99 vez. < br="">O levantamento do Ipea foi feito com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2008 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Consideram-se jovens aqueles entre 15 e 29 anos, uma população que soma hoje 49,7 milhões de pessoas, cerca de 26,2% da população brasileira.
De acordo com o documento, as regiões mais ricas do Brasil meridional apresentam maior porcentagem de pessoas brancas do que as do Brasil setentrional. "Do Oiapoque ao Chuí, a população embranquece e a renda aumenta", informa o Ipea.
O Ipea alerta que juntas, a desigualdade entre regiões e a desigualdade racial respondem por algo entre um quarto e um quinto da desigualdade de renda domiciliar per capita de todo o país. Em 2008, esses dois índices respondiam por 22,3%, sendo 5,7% de desigualdade racial dentro das regiões e 16,6% de desigualdade regional.
O técnico responsável pela área de desigualda de racial no estudo, Rafael Ozório, lembrou que o racismo e a discriminação são causas importantes da desigualdade racial no Brasil, mas não são as únicas: - A gente tem que olhar para outras coisas, como o elevado nível de desigualdade regional. Políticas específicas para a população negra são necessárias, mas não são suficientes.
O Ipea destaca como principal avanço o fato de os jovens, atualmente, conseguirem passar mais tempo em sala de aula e terem maior Escolaridade do que os adultos. Em1998, a média de anos de estudo entre pessoas de 15 a 24 anos era 6,8.
No ano passado, a média era de 8,7 anos de estudo entre jovens de 18 a 24 anos. No grupo de 25 a 29 anos, a média chegou a 9,2 - 3,2 anos de estudo a mais do que entre a população acima dos 40 anos.
A pesquisa também destaca que apenas a metade dos jovens brasileiros de 15 a 17 anos frequenta o ensino médio na idade adequada e que 44% ainda não co ncluíram nem mesmo o ensino fundamental. Nas regiões Nordeste e Norte, as taxas de frequência, 36,4% e 39,6%, respectivamente, são bem mais baixas do que no Sudeste e Sul, 61,8% e 56,5%, respectivamente.
O acesso ao ensino superior é ainda mais restrito, com frequência de apenas 13,6% dos jovens de 18 a 24 anos. Uma boa parcela dos que têm mais de 18 anos, cerca de 30%, conseguiu completar o ensino médio, mas sem buscar a continuidade de estudos no ensino superior.
O Ipea ressalta também que a proporção de jovens fora da Escola cresce de acordo com a faixa etária: 15,9%, entre os jovens de 15 a 17 anos; 64,4%, de 18 a 24 anos; e 87,7%, de 25 a 29 anos.
Um destaque positivo apontado na pesquisa é que o maior nível de Escolaridade também se reflete na menor taxa de analfabetismo entre os jovens. Na faixa de 15 a 17 anos, a queda foi de de 8,2%, em 1992, para 1,7%, em 2008, e, na faixa de 18 a 24 anos, foi de 8,8% para 2,4%, no mesmo período.
Fonte: Jornal do Brasil
quarta-feira, 24 de março de 2010
As marcas da discriminação no analfabetismo de jovens
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário